A saudação de Jesus Ressuscitado aos Apóstolos, “A paz esteja com vocês.” (Jo. 20,19),
ressoa sempre como um ensinamento que
não podemos ignorar. O Papa Leão XIV, no domingo
de Páscoa, em sua mensagem Urbi et Orbi, à cidade de Roma e ao mundo, foi
bastante incisivo em suas palavras: “Quem tem armas nas mãos, que as deponha”!
e “Quem tem o poder de desencadear guerras, opte pela paz”!

 O Papa recordou que “a Páscoa é uma vitória:
da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”. “Uma
vitória a um preço muito alto, pois Cristo o filho de Deus vivo, teve de morrer
e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido
ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue.” Pergunta o
Papa: “Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para
sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo?” Responde o Papa: “Essa
força, esse poder é o próprio Deus, amor que cria e gera, amor fiel até o fim,
amor que perdoa e resgata. Jesus percorreu até o fim o caminho do diálogo, não
com palavras, mas com obras: para nos encontrar, para nos libertar, para nos
dar a vida a nós, deixou-se matar na cruz.”

Continua o Santo Padre: “A
força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à
do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e,
cheio de piedade, reza por quem o ofendeu”, disse ainda completando: “esta é a
verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas
a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações.
Não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para concebê-los e
concretizar em conjunto com os outros.”

A tarefa que fica para todos
nós cristãos é, “à luz da Páscoa, deixarmo-nos surpreender por Cristo!
Deixarmo-nos transformar pelo seu imenso amor, sem resignarmo-nos e
tornarmo-nos indiferentes à violência, às repercussões de ódio e divisão que
semeiam, às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos
sentimos, enfim, à morte de milhares de pessoas.”

Retomando uma expressão muito
cara ao querido e saudoso Papa Francisco, o Papa Leão frisou ser cada vez mais
acentuada a “globalização da indiferença”: “quanto desejo de morte vemos todos
os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo”,
apontava Francisco. Insistindo que “não podemos continuar indiferentes”, “não
podemos resignar-nos ao mal”, o Papa Leão diz “que a paz que Jesus nos entrega
não é aquela que se limita a calar as armas, mas aquela que toca e transforma o
coração de cada um de nós.”

Encerrando a sua mensagem,
o Papa convida a todos nos unirmos a ele numa Vigília de Oração pela paz, que
será realizada na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril. Um
fecundo e abençoado tempo pascal pra vocês!

Pe Ademir Andrade de Sá

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