O mês de outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, que, por meio da conscientização e da prevenção do câncer de mama, contribui para salvar muitas vidas. Infelizmente, porém, essa campanha ainda não alcança todas as mulheres, especialmente aquelas que vivem em situação de rua.

Embora as campanhas tradicionais de conscientização atinjam grande parte da sociedade por meio das mídias digitais e dos serviços de saúde, as mulheres em situação de rua enfrentam inúmeras dificuldades para ter acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento.

A ausência de documentos pessoais e de comprovantes de endereço pode dificultar o acesso aos serviços das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além disso, a discriminação e o preconceito são fatores que podem afastar essas mulheres do atendimento médico e dos cuidados preventivos. Em meio à luta diária pela sobrevivência, a busca por acolhimento, alimentação e segurança acaba sendo prioridade, enquanto o cuidado com a saúde fica em segundo plano.

Nesse contexto, o Consultório na Rua desempenha um papel fundamental, levando atendimento e cuidado a essa população. Ainda assim, a falta de acompanhamento médico e de exames de rotina pode contribuir para que muitos casos sejam diagnosticados em estágios avançados, dificultando o tratamento.

O tratamento do câncer exige acompanhamento contínuo e condições adequadas de descanso, alimentação, higiene e uso correto dos medicamentos. Entretanto, para quem vive nas ruas, garantir essas condições é um desafio diário. Quando há também a dependência de álcool e outras drogas, a continuidade do tratamento pode se tornar ainda mais difícil, aumentando a vulnerabilidade dessas mulheres e os riscos de complicações e morte precoce.

Garantir que essa população tenha acesso digno e adequado à saúde exige a união de esforços entre os serviços de assistência social, saúde e acolhimento. É fundamental promover encaminhamentos, facilitar o acesso aos exames e tratamentos, realizar ações de conscientização e construir estratégias que considerem a realidade vivida por essas mulheres.

O Outubro Rosa precisa ir além das campanhas tradicionais e chegar também àquelas que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos olhos da sociedade. Afinal, toda mulher merece acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, independentemente de sua condição social. Cuidar da saúde dessas mulheres é também um compromisso com a dignidade, a vida e a inclusão.

Valdinete Ferreira – Coordenadora da Casa Madre Teresa

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