Neste ano, iniciamos o mês de maio celebrando na liturgia o quinto domingo da Páscoa. Entramos, assim, na reta final do Tempo Pascal. Neste período, os evangelhos que ouvimos em nossas missas aos domingos, colocam diante de nós trechos do discurso em que Jesus se despede de seus discípulos. Com palavras carregadas de ternura, Jesus diz a eles: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus; crede em mim também.” (Jo 14,1) Jesus os conhecia, sabia que não lhes seria nada fácil. Sabia que a sua partida, sua volta para o Pai, poderia sim, lhes causar perturbações. Por isso, lhes diz: “Não se perturbe o vosso coração!”

Uma pessoa perturbada pode sentir-se desnorteada, perder o “norte” da vida, o rumo, a direção. Vivemos em um mundo perturbado, desnorteado: violência, desigualdades gritantes, injustiças, guerras… Às vezes atônitos perguntamo-nos a nós mesmos: “Para onde a humanidade caminha?” Em meio a tanta perplexidade, confusão, conflitos de toda ordem, não poucos se sentem desnorteados. O Papa Francisco repetiu mais de uma vez que, os conflitos do nosso tempo, são sintomas de conflitos muito mais profundos enraizados no coração do homem.

Jesus nos indica a saída: “Credes em Deus; crede em mim também.” Dizia Santo Agostinho: “O coração do homem estará sempre inquieto, longe de Deus!” Como rezamos no salmo 62: “A minha alma tem sede de Deus, minha alma também o deseja, como terra sedenta e sem água!” Não por acaso, neste mesmo evangelho, Jesus diz aos discípulos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Quanto mais intensa e profunda nossa relação com Deus, menos expostos estaremos às perturbações do mundo em que vivemos. Para isto, precisamos estreitar nossa amizade e comunhão de vida com Jesus. Diante de tantos caminhos, teorias, possibilidades que nos seduzem; de tantas verdades, doutrinas, ideologias que com o tempo caducam; de tantas tentativas de vencer as barreiras da morte, Jesus nos diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”

 Ao longo da História, muitos tentaram com suas doutrinas ideológicas substituir o lugar de Deus na vida do homem, deu no que deu, ficaram para trás, caíram no esquecimento e hoje já não existem mais. Jesus, no entanto, como nas estradas da Galiléia há vinte séculos, continua arrastando atrás de si multidões que se encantam com suas palavras.  Em nossos dias não é muito diferente, não faltam entre nós “os lobos em pele de cordeiro”. Deixemos ressoar em nossos corações: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede em mim também.” (…) “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”         

Padre Ademir Andrade de Sá – Presidente

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