O pedido de ajuda do dependente químico é o primeiro passo — e o mais importante — em sua caminhada de recuperação. Após terminar o tratamento, o acolhido volta a se socializar com a sociedade e passa a enfrentar novos desafios que, geralmente, não estão presentes dentro de uma comunidade terapêutica.
Entre esses desafios estão lidar com dinheiro, relacionamentos, trabalho e assumir todas as responsabilidades que havia deixado de lado em decorrência do uso abusivo de substâncias psicoativas. Durante o tratamento, existe um cronograma, normas, regras e pessoas que, o tempo todo, aconselham e incentivam a pessoa a buscar e viver uma vida disciplinada. Porém, quando o acolhido retorna ao seu ciclo social, na maioria dos casos, ele deixa de praticar algumas atividades que faziam parte de sua rotina no tratamento, perdendo, assim, a disciplina que havia adquirido durante esse período — como acordar no horário, assumir compromissos do dia a dia e estar em partilha com pessoas que vivenciam a mesma caminhada de recuperação.
Ao analisarmos as estatísticas de pessoas que concluem o tratamento e retornam às suas vidas, percebemos que a taxa daquelas que permanecem limpas por longos anos ainda é muito baixa. Diante desse cenário, observa-se que o incentivo para que o acolhido continue frequentando os espaços onde teve seu primeiro contato com a recuperação é fundamental.
Além disso, a participação da família é essencial nesse processo, pois a vida do dependente químico em recuperação é marcada por diversas dificuldades. O que contribuirá para que ele supere as estatísticas e alcance uma recuperação sólida é o fortalecimento de sua rede de apoio, composta por grupos de autoajuda, familiares, psicólogos, conselheiros e terapeutas especializados na área da dependência química.
Buscando esses recursos e mantendo esse apoio contínuo, o acolhido terá maiores chances de superar os desafios após o tratamento, viver muitos anos em recuperação e conquistar uma vida plena, livre do uso de substâncias psicoativas, preenchendo o vazio existencial deixado pelas drogas.
Comunidade Terapêutica – Thiago Diaz
