Na primeira semana de junho vivemos uma situação atípica aqui na casa Madre Teresa. Recebemos alguns idosos e pessoas com problemas mentais, que estavam numa clínica clandestina, fechada pela vigilância sanitária com a denúncia de maus tratos. Saímos totalmente da nossa rotina diária e, depois de tudo resolvido e todos eles encaminhados, nos veio o pensamento do esquecimento.

Pessoas que foram esquecidas pelos seus familiares, pessoas que se esqueceram de si mesmas. Nesse questionamento buscamos conhecer um pouco de cada história, seja como cada um chegou nessa situação, indivíduos que são colocados num lugar onde são esquecidas por aqueles que talvez um dia eles tenham cuidado com amor e carinho e, hoje, têm o olhar parado no nada, sem nenhuma reação sobre o que são ou o que foram; idosos incapazes de dizer o próprio nome, pacientes psiquiátricos tão acostumados a ir de lá para cá, sem nenhum direcionamento, uma vez que para eles tudo é normal. Quando a família é acionada, o questionamento mais frequente é: “Vocês conhecem outro lugar onde poderemos deixá-los?”. Como se fossem objetos sem valor depositados num lugar qualquer.

Essa situação deve nos fazer pensar em como estamos construindo nosso futuro na velhice, sim a velhice é uma realidade para a maioria de nós e não sabemos se chegaremos até ela e, se chegarmos, como será? Seremos colocados em um lugar qualquer, sem os cuidados necessários para esperarmos a morte em paz? Ou teremos o aconchego dos nossos lares, ao lado das pessoas que amamos?

Muitos dizem que não vão se preocupar com isso, mas vale a pena viver no esquecimento de tudo e de todos? Precisamos refletir sobre isso.

Valdinete Ferreira 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *